terça-feira, 20 de abril de 2010

CHEFÃO DO MST DIZ QUE “SOCIEDADE TEM DE SOFRER”


Por Reinaldo Azevedo

Jaime Amorim, o chefão do MST em Pernambuco, um dos mais violentos do movimento, comandou ontem a baderna em Recife, causando transtornos a milhares de pessoas. Ouvido pela reportagem do Jornal Nacional, ele não teve dúvida: afirmou que a “sociedade tem de sofrer” para que, enfim, os sem-terra realizem os seus desígnios. Como se noticiou aqui ontem, a baderna se estende a vários estados, e 68 invasões já foram feitas em vários estados no âmbito do chamado “Abril Vermelho”.

Quem é Amorim: Este blog mal havia completado um mês, e eu revelei a alma profunda deste herói, no dia 30 de julho de 2006. Leiam:

domingo, 30 de julho de 2006 2:33
O Estadão deste domingo traz uma matéria de uma página centrada em Jaime Amorim, o nº 2 do MST. Só perde para João Pedro Stedile. Angélica Santa Cruz foi encontrá-lo em Roraima, onde o movimento que lidera acaba de fincar a bandeira com uma invasão. Agora, só três estão livres de ao menos uma invasão do MST: Amazonas, Acre e Amapá. O Acre pode ser tirado da lista porque os movimentos todos dos chamados “povos da floresta” já têm o comando petista.
Adiante.

A abordagem do jornal é interessante. O catarinense Amorim, que comanda os sem-terra em Pernambuco — na verdade, no Nordeste —, foi enviado ao Estado como um representante de uma empresa que fosse implementar um franquia. É o gerentão. Foi lá ver se o PMSTQ — Padrão MST de Qualidade — estava sendo seguido à risca. Deixa-se fotografar orgulhoso, de boné e camisa vermelha. E ficamos sabendo que ganha R$ 600 por mês — é mesmo um franciscano!!! —, que não usa roupas de marcas, americanas muito menos, nem entra em shoppings, esses templos de consumo. Só sucumbe à coca-cola. Bem, até aqui, poderia ser a descrição de monge budista.

Roland Barthes dizia que as fotos tinham “punctum” —ou vários “puncta” — focos, pontos, que chamavam a nossa atenção. Diz o texto que o homem tem um roçadinho. Meus olhos logo procuraram nas suas as mãos de um agricultor, as unhas ao menos… Nada que lembrasse as de meu avó, calejadas pela enxada, lanhadas pelos galhos do café, que vão cravando na carne gravetos minúsculos, na forma de espinhos.

Lê-se a matéria e, infelizmente, não se revela ali o homem que, em 2000, ameaçou atear fogo num navio de bandeira liberiana porque estava carregado com milho transgênico. O nome disso é terrorismo. O MST em Pernambuco, que ele lidera, é o mais violento do Brasil. Ali, carros do Incra já foram incendiados. Durante o governo FHC, o MST do Estado, sob seu comando, jogou cocô — sim, cocô — na caixa d’água da repartição federal. Ele cuida ainda de um aparelho do MST em Caruaru, onde revela a agricultores, com suas mãos sábias, os mistérios de Marx, Che Guevara e Lênin.

Foi em Pernambuco que dois policiais foram feitos prisioneiros num assentamento dos sem-terra. Um deles foi barbaramente torturado e morto em fevereiro do ano passado. Como era só um pernambucano pobre e não se chamava Dorothy Stang, ninguém acendeu velas por ele, e Dom Tomás Balduíno, amigo de Amorim, não encomendou a sua alma. Escrevi sobre isso à época (clique aqui). Amorim não é nem asceta nem monge budista. Tem sido o líder das ações mais violentas do MST. Definitivamente, é um homem que sabe endurecer fingindo não perder a ternura jamais.

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